3º Passeio Cultural de 2022
Passeio pela região de Miguel Burnier
Passeio pela região de Miguel Burnier
O 3º Passeio Cultural promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico de Congonhas (IHGC) em parceira com a Academia de Ciências, Letras e Artes de Congonhas (ACLAC), realizado neste sábado, 23 de julho, foi espetacular.
O destino foi o Distrito de Miguel Burnier, pertencente ao município de Ouro Preto.
Distante cerca de 21km do centro de Congonhas, o Distrito de Miguel Burnier (antigo São Julião) é cercado de belezas naturais e uma rica história que começa bem nos primórdios com século XVIII. Mesmo com intensa atividade da mineração que a rodeia, a região de Miguel Burnier nos revelou, em seu curso pela história, a lendária pedra da "vigia" e as ruínas da fazenda Caldeirões (que pertenceu a José Álvares Maciel - pai de José Álvares Maciel (homônimo) e genro Francisco de Paula Freire de Andrada - ambos implicados na Conjura mineira. Na direção leste avistamos a região do rodeadouro do Itatiaia (no contraforte da Serra do “Deus Te Livre” – atual Serra de Ouro Branco), o local onde se localizava a fazenda das "Congonhas" - emblemático local da história do conflito da guerra dos Emboabas na região (ali o líder revoltoso Manuel Nunes Viana e seu grupo barrou a viagem do então Governador da Capitania do Rio de Janeiro à Villa Rica - Dom Fernando Lancastre em 1709). E ainda conhecemos o que restou do maior entroncamento ferroviário da região, e sua imponente estação inaugurada em 1887 pela Estrada de Ferro Dom Pedro II (rebatizada a partir de dezembro de 1889 para Estrada de Ferro Central do Brasil), que durante décadas foi responsável pelo progresso do local e o ir e vir de pessoas e cargas de todas as principais regiões de MG, SP e RJ, conectadas à época pelos trilhos das principais ferrovias brasileiras.
E como não se impressionar com o que foi, por mais 80 anos, a Usina Wigg e a vila de operários que ali existiu. Inaugurada em 1893 por Carlos Wigg e sua esposa - Alice Wigg (que tinha um carinho pra lá de especial com a região de Miguel Burnier), a usina foi durante décadas o principal fator econômico da região. E podemos ainda citar, não distante dali, que existiu no início do século XIX a pioneira Fábrica Patriótica - idealizada pelo Barão de Eschewege e seus sócios majoritários da Família Monteiro de Barros - Barão e Visconde de Congonhas do Campo - Lucas Antônio Monteiro de Barros e seu irmão, o Barão do Paraopeba - Romualdo José Monteiro de Barros.
E nos emocionamos ao visitar a imponente igreja devotada ao Sagrado Coração de Jesus, erguida em 1934 com apoio incondicional de Alice Wigg. O templo religioso é de beleza ímpar na região e impressiona, não só pelo tamanho mas também pela riqueza de seu interior ricamente decorado. E com a presença de trabalhadores alemãs na região durante o período de sua construção, é possível identificar elementos da cultura germânica em seu interior. Um local sagrado, preservado pela comunidade com muito carinho, e que vale a pena visitar.
Para finalizar o passeio chegamos à Capela de Nossa Senhora Auxiliadora de Calastróis, que no passado foi incorporada à antiga Capela de São Julião, que se tornou o padroeiro de Miguel Burnier no início do século XX.
Infelizmente a Capela de Calastróis está abandonada (assim como a Capela de Nossa Senhora do Alemão) e seu estado é deplorável. Nenhuma ação concreta do Poder Público foi tomada no sentido de preservar sua história. Está abandonada e vai, lentamente, sucumbindo à ação implacável do tempo.
Miguel Burnier (ou São Julião) é um distrito que está na rota do Caminho Velho da Estrada Real, identificado por marcos em seu trajeto, e vários são os cursos d’água que vertem para Congonhas como o ribeirões que formam o “Goiabeiras” e o “Soledade”, tributários do rio Maranhão, sub-bacia do Paraopeba.
A sede do Distrito de Miguel Burnier está 1.160 metros de altitude e seu ponto culminante fica a 1.607 metros de altitude.
O passeio foi muito rico de aprendizado e calor humano.
Agradecemos imensamente aos confrades Karina Giovanna Vasconcelos e Marco Antônio Costa que nos receberam com carinho e entusiasmo que lhes são peculiares. E nos brindaram com um verdadeiro almoço mineiro preparado muito com esmero e servido em uma das antigas casas do conjunto ferroviário que circunda a estação ferroviária. E ao amigo Paulo Rogerio Lana Lana pelas ricas informações sobre Miguel Burnier e vizinhança.
Agradecemos também ao casal Janie e Rogério - proprietários da AG Turismo, pelo tratamento especial em nossos passeios pela região.