IHGC promove série de caminhadas culturais em comemoração ao centenário da visita da caravana modernista à Congonhas
IHGC promove série de caminhadas culturais em comemoração ao centenário da visita da caravana modernista à Congonhas
Selo oficial do centenário da caravana modernista em Congonhas - Reprodução Museu de Congonhas.
O IHGC promoveu ao longo do ano de 2024 uma série de caminhadas culturais em comemoração ao centenário da visita da caravana modernista à Congonhas, em 1924.
A caravana Modernista vistou Minas Gerais ao longo de 1924 para conhecer de perto as belezas culturais do nosso estado, incluindo Congonhas, onde anos mais tarde foi fundamental para a criação da identidade cultual genuinamente brasileira, a criação das políticas de proteção ao patrimônio cultural do Brasil, como a fundação do IPHAN em 1937 e o Decreto-Lei nº 25/1937 que estabeleceu a proteção e as formas de tombamento.
A primeira atividade foi justamente no dia 30 de abril, data da chegada dos modernistas à nossa cidade, em parceria com a ACLAC (Academia de Ciências, Letras e artes de Congonhas), conjuntamente, com equipe Educativa do Museu de Congonhas e a Diretoria de Patrimônio Histórico da Prefeitura de Congonhas.
Iniciamos uma caminhada, que à época foi vivenciada pelos Modernistas Oswald de Andrade, seu filho Nonê, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, o jornalista René Thiollier, a fazendeira Olívia Guedes Penteado, o advogado Goffredo Telles e o poeta franco-suíço Blaise Cendras, os quais chegaram em Congonhas na madrugada do dia 30 de abril, estabelecendo-se no Hotel York, construído em 1917, localizado bem no início da ladeira que nos leva à Basílica do Senhor Bom Jesus.
Uma caravana de intelectuais, artista e escritores, ao conhecerem as Obras do Mestre Antônio Francisco Lisboa, ficaram admirados. Tarcila, possivelmente do adro da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, realizou seu primeiro e talvez o único desenho do Santuário e Capelas, vista sob um ângulo, que por vezes, nos passa despercebido...
A Comitiva de hoje, teve por finalidade repassar pelo mesmo trajeto realizado pelos Modernistas, porém, com um diferencial; ao longo do trajeto, Roberto Candreva detalhava sobre as construções e os casarões que compõem esse belo e histórico cenário, apresentando os nomes das famílias e os comércios e residências, do entorno, de ontem e de hoje.
A Caminhada nos fez voltar no tempo e na história, com Roberto Candreva e André Candreva, demonstrando a importância da ladeira e dos moradores/famílias que construíram uma história, como também, a importância do Jubileu iniciado ainda no século XVIII. As crenças e os costumes, o comércio e a influência desses “Comerciantes e Donos de Barraca” que traziam novidades e difundiam cultura e costumes. Citando e demonstrando, inclusive, a loja de violas, de ouro, de couro, os banheiros de concreto, (construídos pelos Redentoristas), eram 60 banheiros de cada lado, abaixo da Igreja de São José, para atendimento aos Romeiros e que ao longo do ano, poderiam ser utilizados pelos moradores e visitantes, apresentando ainda, locais de pousada, fundição de crucifixo, entre outros. Um período em que, durante o Jubileu comprava-se e, por vezes pagava-se, no ano seguinte...
Voltando aos Modernistas, eles com certeza, transitaram pelas pedras da ladeira, anotando um fato aqui e outro ali e, ao chegarem no Belo Santuário, a começar pela Capela da Santa Ceia, deslumbraram-se ao erguerem os olhos para cima e ali encontrarem obras que até então eram rotuladas como “disforme, de figuras narigudas e feias”.
Portanto, podemos concluir que a visita dessa Comitiva, os escritos, os desenhos e a valorização do traçado barroco, trouxeram um novo conceito de Arte e, sobretudo, das obras do Mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
O encerramento do trajeto se deu no Museu de Congonhas, onde tivemos mais uma vez, as narrativas da Equipe do Museu de Congonhas, destarte, um passeio que valeu pela abrangência de sua história e assim, também com esse ato, preservamos e construímos história.
Essa mesma atividade foi realizada em mais seis ocasiões, com público voltado para estudantes:
2º Caminhada - Colegio Nossa Senhora da Piedade para 2º ano do ensino Medio em 21/05;
3º Caminhada - Colegio Nossa Senhora da Piedade para 3º ano do ensino Medio em 28/05;
4º Caminhada - Colégio Sagrado Coração de Jesus para 1 e 2º anos do ensino médio em 26/06;
5º Caminhada - Colégio Tiradentes da cidade de Divinópolis em 09/07;
6º Caminhada - Escoteiros de Congonhas em 27/07;
7º Caminhada - Escola Municipal Fortunata de Freitas para 9º ano EF em 29/08.
Fotos: Cida Resende, Jonathan Reis, Sandoval Souza, Terezinha Cândido e Hugo Cordeiro.
Emblema oficial das atividades: Museu de Congonhas.