25ª cadeira, representada por Maria Aparecida Resende
Nasceu em 04 de fevereiro de 1931, filho de João Guilherme Veado, natural de Belo Vale, conhecido na região como "João Aurora", por ser filho do fazendeiro Francisco de Assis Aurora Veado, proprietário da fazenda Lindo Vale de Belo Vale. João Aurora casou-se com Maria Elisa Cordeiro, filha do Professor do Colégio do Caraça e que também trabalhou no Seminário São Clemente, Miguel Cordeiro Magalhães; Maria Eliza era professora por formação e concursada no Estado de Minas Gerais, deixando a profissão assim que se casou.
João Aurora comprou uma grande área de terras no Esmeril e lá iniciou suas atividades, sendo referência na criação de burros, possuindo tropas de qualidade, tornando-se grande comerciante. Era como um Juiz de Paz, na região, sendo sua residência, local de apoio para políticos, religiosos e comerciantes.
Benedito Bonsucesso é filho único do casal, fez seus primeiros estudos no Esmeril, em sala multisseriada, posteriormente, na Escola Barão de Congonhas, iniciando, no ano de 1940, no Seminário São Clemente. No Seminário ficou por pouco tempo, solicitou seu desligamento, desejando retornar ao convívio familiar e, após a várias tratativas, os sacerdotes acataram a decisão do jovem, em comum acordo com os pais.
Casou-se em 1957, com Maria do Carmo Resende, filha de Herotides Maia de Resende e Waldemira Isabel Pires de Resende. Herotides era fazendeiro, criador de Gado Nelore, que introduziu a raça na região, o casal residia em Jeceba-MG. Bené, assim que se casou, montou um pequeno comércio no Esmeril, ficando pouco tempo no local e, após dois anos, passou a residir em Congonhas, na Praça 7 de Setembro e montou o restaurante defronte a Prefeitura de Congonhas, local de referência para alimentação, à época, considerando a grande procura ao Médium Zé Arigó, inclusive com caravanas do exterior que alimentavam-se no bar-restaurante, o único na cidade.
Após dois anos, comprou o imóvel, próximo à sua residência e inaugurou o “Armazém Nossa Senhora Aparecida Ltda”, um armazém em que se encontrava de tudo o que se procurava em uma época que não existia os supermercados que se tem hoje.
Com uma oferta diversificada de produtos, daí a denominação de “Secos e Molhados em Geral”, de doces à panela de pressão, de tachos a sabonetes, de gêneros alimentícios a diversificados produtos higiênicos, de limpeza em geral e variadas bebidas, de cadernos a lápis, de canetas a papel almaço, de pacotes de macarrão a bacalhau, de feijão a panela de ferro, ou seja, de um a tudo...
Como diziam: “Na Venda do Bené tem, vai, lá!”
Com o tempo a criançada batizou o Armazém de “Armazém do Bené”. Benedito Bonsucesso era “Dito”, para os familiares e “Bené” para os amigos fora da família...
Suas atividades estavam concentradas no apoio às pessoas assistidas na Sociedade de São Vicente de Paulo, no apoio às atividades das Igrejas, especialmente, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São José, que à época, ainda não era Matriz.
Embora tivesse outro carro de passeio, a camionete era o seu automóvel preferido, inclusive, era com ela que, quando necessário, também atendia os amigos vizinhos em qualquer horário que fosse solicitado. Atleticano que era, acompanhava, simultaneamente, tanto na TV (quando transmitido) quanto no Rádio, as transmissões dos jogos do time do coração.
Bené apreciava o Carnaval e gostava de jogar bola, com o passar dos anos, deixou essas atividades, concentrando-se nas atividades como “membro festeiro” das Festividades da Semana Santa. O Armazém era fornecedor à Família que vinha do Espírito Santo para cozinhar no Barracão dos Pobres, cumprindo uma antiga promessa e, por quase vinte anos, à prestação de serviços, ou seja, a família comprava os alimentos no Armazém do Bené, para ser entregue na Casa dos Pobres- Barracão da Alegria, para assim disponibilizar a comida aos que ali ficavam. Desse relacionamento de compra e venda, nasceu uma amizade fraterna, assim como tantas outras no dia a dia, com crianças, professores, mães e pais que tinham no Armazém do Bené, mais que uma referência de compra.
Benedito Bonsucesso, um homem de poucas palavras e muitas ações: com os exemplos dos pais, os sacerdotes sempre em sua casa paterna, eram referência de amizade e de religiosidade, cresceu na fé e assim que mudou para Congonhas, nos anos sessenta, não foi diferente, os padres redentoristas como padres Anselmo, Leão, Paulo Afonso, Mário Ferreira , Edson, Bráz, Penido, tinham nele e em sua residência, um ponto de referência e apoio às atividades e a sua casa, era uma porta aberta para um café e prosa a qualquer hora e assim continuou com os padres diocesanos, Padre Henrique, Geraldo Leocádio, José Geraldo, Afonso e Paulo Barbosa.
Semana Santa era motivo de reflexão e festa, trabalho e oração. Na Sexta-Feira da Paixão, era de praxe, assim que a procissão chegasse e finalizasse todo o processo de reverência à imagem do Senhor Morto, os festeiros eram acolhidos em sua residência para o tradicional café de encerramento da Paixão de Cristo.
Isto, sem falar nos traslados das Imagens dos Santos: Senhora das Dores, Senhor da Coluna, Senhor dos Passos, Nossa Senhora do Triunfo, todas as imagens transportadas, primeiramente em uma camionete cabine dupla, azul e branca, CHEVROLET /72, posteriormente, uma Camionete C10/75.
Essas atividades eram exercidas com fé e piedade, uma satisfação para o Senhor Benedito Bonsucesso e que a família preserva até hoje. O mesmo ocorria, com o traslado das imagens de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia, São Benedito, São João Batista e São José.
Retornando ao Armazém, ele funcionou na Matriz a partir de 1963, como dito anteriormente, com oferta variada de produtos e o cartão de crédito era o registro mensal de compras em um enorme livro grosso, com nome de cliente-amigo que ao final do mês fazia o acerto de suas despesas, também existia o sistema de “vale” para as compras menores.
As mesmas camionetes que transportavam imagens de devoção eram as mesmas que faziam as entregas de mercadorias e, assim a C10/1975 atravessava asfalto, estradas de terra batida, indo para Jeceaba, Alto Maranhão, Esmeril, Belo Vale, ou seja, os lugarejos mais próximos. As mercadorias chegavam para o Armazém em caminhões vindo da capital e a lona estendia como um mar, na praça, para ser dobrada e guardada e assim tomar rumo de volta à origem.
O “Armazém do Bené”, também vendia leite direto da fazenda do Senhor Herotides e barrigada de porco, que ele mesmo se encarregava de matar, um costume comum à época. Eram, aproximadamente quatro a cinco caixeiros para atendimento aos fregueses-amigos.
Benedito Bonsucesso (Bené) e Maria do Carmo (Dona Filhinha), tiveram quatro filhas: Maria das Graças Cordeiro, médica, natural de Entre Rios de Minas; Maria Aparecida Resende, mestre em educação, natural de Jeceaba; Maria Madalena Resende, bacharel em turismo, natural de Congonhas; Mônica Jussara Resende Gama, pedagoga, natural de Congonhas; casada com Giovani Tomaz Gama; o casal tem uma filha, Maria Elisa Bonsucesso Resende Gama, graduada em relações internacionais.
O Armazém Nossa Senhora Aparecida Ltda, ou melhor, “Armazém do Bené, sempre foi elogiado por sua organização, limpeza e beleza na distribuição de seus produtos nas prateleiras. Turistas de diversos estados solicitavam autorização para tirar fotos visto se tratar de um armazém de produtos diversos que primava pela organização e atendimento. “O Armazém do Bené” encerrou suas atividades no ano de 2008.
Benedito Bonsucesso, tinha por hábito, desde jovem, a recitação do terço, o que aprendera com sua mãe, um costume de família e, nos seus últimos meses de vida, pressentindo que poderia deixar a família lamentava muitíssimo o afastamento, e dizia em bom tom que se pudesse, colocaria suas filhas e esposa debaixo de seus braços e as protegia para sempre... “Um homem tido como severo, porém de coração sensível.”
Bené faleceu aos 80 anos em 17 de outubro de 2011, deixando um legado de amor à família, retidão, responsabilidade e compromisso com a verdade.