26ª cadeira, representada por Jonathan Leandro Martins Reis
Djalma Andrade nasceu em 3 de dezembro de 1891, aos pés do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, no alto do Morro do Maranhão, velho distrito de Redondo do arraial de Nossa Senhora da Conceição das Congonhas do Campo, atual Congonhas, Minas Gerais.
Era filho do doutor Rodrigo Antônio Cândido de Assis Andrade, que se formou farmacêutico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1877 e médico pela mesma instituição em 1882, e de dona Leonor de Almeida Martins de Assis Andrade.
Estudou Humanidades em Ouro Preto. Por desejo do pai, ingressou na Faculdade de Medicina em Belo Horizonte, mas abandonou o curso no quarto período por não ter vocação.
Posteriormente, bacharelou-se em Direito em 1915 pela Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais. Foi nomeado promotor público em Ouro Preto, cargo ao qual renunciou para optar pela carreira jornalística e dedicar-se às letras.
Foi um infatigável versejador. Santos (2016 apud DE LIMA, 2016, p. 26) refere-se a ele como um “trovador desabusado e provocador, jornalista inclemente com o arbítrio dos poderosos e as transgressões dos modernos (...)”.
Tratava-se de um intelectual polivalente, atuando como jornalista, poeta lírico e satírico, sonetista, historiador, cronista, radialista, roteirista de cinema e teatro, apresentador de TV e compositor musical.
Imprensa: Integrou a redação do Correio de Minas, do Debate Diário de Minas (primeira e segunda fase), da Folha de Minas e, finalmente, do Estado de Minas, onde assinou por mais de 30 anos a coluna "A História Alegre de Belo Horizonte". Colaborou também nas revistas Vida de Minas, Belo Horizonte, Silhueta e Alterosa, além de ter dirigido a Revista do Ensino durante o governo Melo Viana.
Ativismo e Prisões: Inclemente com o arbítrio dos poderosos, fez-se partícipe das tramas literárias e políticas que acabaram por levá-lo algumas vezes à prisão por desacato aos mandatários do Catete e do Palácio da Liberdade.
Docência: Atuou como professor de História e Literatura no Colégio Estadual de Minas Gerais.
Djalma Andrade publicou diversos livros, cujas edições tiveram esgotamento total. Entre eles, destacam-se:
Brasil Ditosa Pátria (1918), em parceria com Bernardo Guimarães Filho, sendo seu primeiro livro publicado.
Vinha Ressequida (1922), pela editora Monteiro Lobato & Cia.
Bom Jesus (1923), pela editora Casa Azul.
Poemas de Ontem e de Hoje (1937).
Versos Escolhidos (1938).
Versos Escolhidos e Epigramas (1945).
Poemas para as Escolas.
Cartuchos de Festim, livro praticamente inédito, pois os poucos volumes que circularam após a revolução de 1930 foram rapidamente apreendidos pela polícia política do Estado, que completou o ato com a prisão do poeta.
Sátiras.
O best-seller Bandeira de Minha Terra.
Foi membro honorário da Academia de Letras de Lisboa e membro da Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira número 09, cujo patrono é Josaphat Bello. Durante a sua presidência na instituição, iniciada em 1959, foi aprovado o ingresso feminino na entidade.